Intervalos – Parte 1

Sejam bem-vindos, falantes do bom e velho português!

Começo hoje uma série de posts (em português!) voltados ao desenvolvimento de algumas habilidades fundamentais para o exercício da liberdade de expressão em música, seja qual for o seu instrumento.

Hoje vou falar um pouco sobre intervalos e algumas aplicações práticas que podem lhe ajudar a absorver o conceito de forma simples e musical.

Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer algumas realidades do estudo da música:

  1. O seu “produto” musical passa por diversos processos internos antes de se transformar em som. Em primeiro lugar, a idéia do som é criada a partir de sua memória auditiva através de esforços conscientes ou inconscientes. A sua habilidade em reconhecer as qualidades dessa informação influencia diretamente no resultado final: a sua expressão. Após reconhecer a informação sonora, é hora de aplica-la ao mundo exterior. Aí sim, e somente aí, a técnica do instrumento é fundamental. Depois que a idéia virou som, você acabou de compartilhar um pedaço de si.
  2. Entendendo esse processo, é possível listar uma série de faculdades mentais e físicas fundamentais para uma criação musical espontânea satisfatória:
    1. Memória auditiva
    2. Reconhecimento das qualidades sonoras
    3. Técnica e aplicação de conceitos teóricos
    4. Performance
  3. Cada uma das etapas acima terá mais valor artístico e, consequentemente, motivacional se você adicionar significado emocional e esforço consciente de desenvolvimento.
  4. Todos nós estamos aprendendo.

Intervalos

Intervalos musicais são a distância de frequência, ou altura, entre duas ou mais notas.

Compartilho aqui uma série de sugestões para desenvolver a sua percepção e identificar os intervalos musicais com mais facilidade em todas as etapas da criação musical:

  1. Estudo dos métodos tradicionais de solfejo e percepção auditiva.
  2. Uso de softwares para auxílio do estudo de percepção, como EarTrainer.
  3. Escutar muita música. E se esforçar para reconhecer intervalos melódicos e harmônicos, seja qual for o estilo ou instrumento. Seja um apreciador ativo, e aplique o conhecimento até a identificação se tornar um hábito natural.
  4. Pratique cada intervalo em todas as tonalidades e escalas possíveis, cantando e em algum instrumento melódico, explorando digitações e técnicas diferentes.
    1. Para instrumentos de corda, aplique os intervalos tanto horizontalmente (na mesma corda) quanto verticalmente, dentro do shape de escala e misturando-os.
  5. Meu grande mestre Larry Roy me apresentou o método de estudo dos intervalos através de quatro processos (Processos – Full Score), este método (assim como qualquer outro) só é realmente válido se for aplicado com o máximo de concentração. Não se deixe enganar pelos atalhos da técnica instrumental e saiba SEMPRE identificar notas e intervalos na sua mente antes de passar para a próxima etapa:
    1. Ascendente – Ascendente
    2. Descendente – Descendente
    3. Ascendente – Descendente
    4. Descendente – Ascendente
  6. A cada música ou tema estudados, concentre-se em memorizar os intervalos entre cada nota da melodia. Aplique esse exercício a solos e partes instrumentais também.

Neste longo estudo estamos basicamente treinando muito mais o nosso ouvido do que nossa técnica instrumental. Porém é claro que, com o tempo, ao se habituar com os exercícios no seu instrumento, você terá muito mais facilidade técnica de acessar os intervalos que você quiser. De qualquer forma, procure aplicar estas sugestões no seu dia-a-dia de estudo e você perceberá um enorme avanço em todas as áreas da sua vivência musical, desde uma simples apreciação mais consciente até a aplicação dos seus conhecimentos no seu instrumento.

Espero que estas dicas lhe sejam úteis e bons estudos!

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