Ritmo

Dando continuidade aos estudos dos fundamentos da música, vamos analisar algumas estratégias para entender, identificar e criar ritmos mais naturalmente. Assim como os estudos de intervalos, que são a base para o estudo das alturas sonoras, o ritmo aceita conceitos muito amplos, que são estudados de diversas formas em diferentes lugares do mundo.

Rítmo vem do grego Rhythmos e designa aquilo que flui, que se move, movimento regulado.

Para se ter uma idéia da complexidade que o ritmo pode alcançar, é interessante levar em consideração que o conceito extrapola os limites do som, e mesmo do nosso planeta. Cada átomo possui elétrons que se movem em determinada frequência. E o conceito de frequência está inevitavelmente ligado a relação de um evento que acontece no tempo.

frequência é uma grandeza física que indica o número de ocorrências de um evento (ciclos, voltas, oscilações etc) em um determinado intervalo de tempo.

O ser humano interpreta a frequência de diversas maneiras, principalmente como luz e som. O som só se propaga através do ar, por isso o barulho das naves espaciais em filmes de ficção científica são uma grande ilusão, mas que se for levada a sério pode causar muito tédio aos cinéfilos.

Diante deste fato é interessante notar que alguns compositores associam o silêncio de suas obras à morte. É comum também encontrar essa associação em trilhas de filmes. Quando  o personagem falece, o som é completamente cortado, trazendo grande intensidade ao drama.

Assim como em qualquer aspecto da música, a melhor forma de se entender o ritmo é ouvindo como ele se manifesta em qualquer som ao seu alcance. Pegue a sua playlist favorita (eu ia falar o seu CD favorito, mas me senti terrivelmente velho) e identifique os ritmos presentes em cada música, e note a força que o ritmo tem para definir um estilo. Cante junto e memorize alguns dos ritmos que mais lhe agradam, sejam eles parte de uma levada de violão, bateria ou mesmo de uma melodia. Lembre-se que todos os instrumentos tocam num determinado ritmo, não apenas os percussivos.

Quando nós temos uma memória sonora dos eventos musicais, nós entendemos a música de fato, e a teoria vai servir apenas para dar nome a conceitos que você já entende na sua mente. Se você experimentar o processo inverso (o que é muito comum na educação musical tradicional), estudando os conceitos da teoria e símbolos da escrita musical antes de experimentar os sons, vai ver que a experiência será muito menos prazerosa e, consequentemente, menos efetiva.

Por isso não se preocupe tanto com a teoria das coisas, apenas experimente ficar mais atento ao que você escuta. Experimente escutar uma música sem abrir o Facebook e, melhor ainda, com os olhos fechados, foco total. Não há livro teórico do mundo que vá fazer você aprender mais do que esta experiência.

Não estou militando contra a teoria aqui. A teoria musical nada mais é do que um conjunto de conclusões que um bocado de gente teve ao analisar a música com atenção e seriedade. São referências que nos ajudam muito, mas que não substituem a experiência musical em si. Pode ser que, através da sua experiência empírica, você acabe discordando de algum conceito teórico bem aceito (o que aliás é comum na realidade acadêmica brasileira) e contribuindo para a comunidade científico-musical com novas discussões.

Nos posts seguintes irei comentar sobre alguns métodos de estudo, idéias de aplicação na apreciação e performance e claro, sugestões de estudo. Já estou preparando uma introdução ao Konokol, um método de estudo rítmico desenvolvido na Índia e aplicado por diversos músicos ocidentais. Estou planejando também algumas análises sobre os conceitos de rítmica desenvolvidos por Victor Wooten, Murray Schafer, Eduardo Gramani e Hal Galper, entre outros. O ritmo é um assunto imenso!

Até a próxima!

 

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